MedLogic apresenta software voltado para o atendimento de idosos

MedLogic apresenta software voltado para o atendimento de idosos

Fonte: Diário do Comércio – Thaíne Belissa

A startup mineira MedLogic está entre as idealizadoras de um projeto inovador que pretende trazer mais qualidade para a saúde dos idosos no Brasil. Junto com empresas britânicas de tecnologia, com o Hospital Albert Einstein, em São Paulo, e o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CpqD), em Campinas, a startup desenvolverá o projeto CityZen, que consiste na criação de um aplicativo que conecta o idoso ao sistema de saúde pública. O projeto vai receber mais de R$ 3 milhões de investimento e a expectativa é de que a ferramenta esteja pronta em 18 meses.

O projeto foi aprovado em um Edital de Cooperação entre os governos brasileiro e britânico. As instituições que estão financiando a iniciativa são a Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), o Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (Mdic), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), a Newton Fund e a InovateUK. Ao todo, o edital oferece R$ 3,5 milhões de financiamento ao projeto.

A MedLogic é uma spin-off da Indústria-i Empreendimentos Digitais e foi uma das startups aceleradas pelo programa do Estado Startups and Entrepreneurship Ecosystem Development (Seed). A empresa desenvolveu um software que auxilia os profissionais da saúde a fazer uma avaliação multidimensional da saúde do paciente. E é a partir dessa solução que pretende criar um projeto inovador para melhorar o tratamento de saúde oferecido aos idosos no País.

O fundador da Indústria-i Empreendimentos Digitais, Daniel Melo, explica que o piloto será realizado em Campinas e em São Paulo. Segundo ele, Minas Gerais também foi consultada, mas as negociações com a Secretaria de Estado de Saúde não foram produtivas e o Estado acabou sendo descartado nessa fase do projeto. O empreendedor explica que o principal objetivo do projeto é tornar a população idosa mais conhecida para o sistema de saúde, seja público ou privado, de forma que as necessidades reais dessa população sejam atendidas e acompanhadas.

Para isso, o projeto, que tem início no próximo mês, fará uma estratificação da população idosa das cidades-pilotos.  “Um dos grandes problemas da saúde pública é que ela trata todos os pacientes da mesma maneira, direcionando-os a uma consulta simples de 15 minutos. Para um idoso com 60 anos de histórico médico isso não é adequado. Segundo Melo, o projeto do CityZen vai na contramão dessa realidade, propondo a elaboração de um planejamento de saúde específico para cada idoso.

“Essa ferramenta vai servir de base para o sistema de saúde que atender esse idoso, oferecendo informações sob medida e melhorando os diagnósticos. Além disso, a partir dessa solução, a cidade poderá entender melhor o perfil de seus idosos e, assim, elaborar políticas públicas mais adequadas para essa população”, destaca.

Outro ponto importante do projeto é que ele permite o acompanhamento do idoso via aplicativo. Melo afirma que o dispositivo está sendo desenvolvido de forma que seja acessível à população idosa. O paciente será capaz de acionar o sistema de saúde por comando de voz. “Outro problema do atual sistema de saúde é que o idoso vai ao médico e depois some. Então, não é possível saber se ele permaneceu no tratamento. Com esse aplicativo é possível comunicar com o idoso e, automaticamente, monitorá-lo”, explica.

O empreendedor lembra que soluções como essa que auxiliam os idosos são, cada vez mais, necessárias em um País em que a expectativa de vida só aumenta e o número de filhos nas famílias diminui. “Essa solução vai ajudar a resolver o problema de insuficiência familiar. A média de filhos por família no Brasil é de 1,7 e esses filhos não estão conseguindo cuidar de seus pais sozinhos. A última pesquisa do Pnad surpreendeu até o governo: o País tem mais de um milhão de novos idosos por ano”, diz.

Melo afirma que, além dos R$ 3,5 milhões de investimento via edital, a MedLogic fará investimentos próprios no projeto. Focando esse grande desafio em 2018, a startup deve abrir, em breve, mais uma rodada de captação de investimento. Segundo ele, a expectativa é de que, em 12 meses, sejam realizados os primeiros testes com a solução. Ele acredita que ela estará disponível no mercado em até 18 meses.

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