As transformações pela educação foram tema do SEED Talks

As transformações pela educação foram tema do SEED Talks

Desenvolvimento profissional, aliar teoria à pratica, transformações de realidade e como chegar lá através da educação. Esses foram os temas debatidos no segundo SEED Talks, que aconteceu dia 3 de novembro, durante a FINIT. Mediado pela Diretora de Inovação da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH-MG), Alessandra Alkmim, o painel teve a presença do cientista cognitivo do Google, André Souza e da empreendedora social da Ashoka Brasil, Maria Regina Cabral.

“Como queremos o futuro da educação?” A pergunta da doutora em educação pela USP, Maria Regina Cabral, não tem uma resposta simples, mas uma conclusão é incontestável: o modelo educacional como funciona hoje precisa ser mudado. “Temos que pensar porque muitos jovens abandonam a escola. Além disso, os motivos de porque os que estão estudando não aprendem e porque os que aprendem não estão felizes”, afirma a professora.

De acordo com ela, na América Latina, 36% das crianças no ensino fundamental não estão atingindo as habilidades mínimas de leitura e 52% não possuem domínio da matemática. “Estamos passando por transformações muito rápidas, mas a escola que nós temos ainda está no século XIX. Esse desencontro de velocidade entre escola, professor e alunos cria um impacto muito grande naquilo que temos hoje como resultado”, aponta Maria Regina.

Com esse panorama é preciso dar autonomia para o professor, com conhecimento estruturado que propicie o aprendizado e domínio de novos códigos e linguagens. “Quando pensamos nessa escola do futuro, temos que fazer uma educação inovadora. Ela precisa articular conhecimentos teóricos com a pratica onde o aluno experimenta, erra, entra em conflito, para assimilar e aprender”. Para Maria Regina, só assim passaremos de usuários para também produtores de tecnologia.

O desenvolvimento da imaginação é essencial para essa construção de conhecimentos fora do padrão, já que é preciso primeiro entender o passado, para poder transformar o presente e futuro. A história do cientista cognitivo Andre Souza mostra que isso é possível.

Da periferia de Belo Horizonte, o pesquisador hoje é um dos responsáveis pelas pesquisas quantitativas realizadas pelo time do Android e Inteligência Artificial do Google, na Califórnia “Eu sempre gosto de começar falando do ponto inicial e do ponto em que estou agora. Quando eu comecei a minha vida acadêmica, queria ser professor de literatura inglesa. Hoje eu trabalho com inteligência artificial dentro do Google”, afirma Andre.

De acordo com o cientista, ele nem sabia que esse cargo existia na época em que entrou na Faculdade de Letras da UFMG. Agora, com um pós-doutorado em psicologia cognitiva, Andre dedica-se a divulgar a ciência. “Como cientista, hoje, meu papel é entregar de volta para sociedade soluções para problemas práticos. Porque eu sai de uma comunidade onde precisávamos desses resultados e os problemas práticos continuam lá, precisando dessas soluções”.

Mas esse caminho não foi fácil nem rápido. Porém o cientista garante que é preciso ter coragem e persistir para alcançar seus objetivos. “A educação te permite isso, ver as trajetórias possíveis que podem ser seguidas. Se cada pessoa que está pensando em desistir, continuar, já são mais pessoas que poderão contribuir para que os problemas práticos que temos no dia a dia sejam resolvidos de forma efetiva”.

Os palestrantes ainda falaram sobre o papel das instituições de ensino no presente e de como é preciso que professores construam uma relação diferente com seus alunos. “O conhecimento hoje está permeando tudo. A escola não é mais a fonte de conhecimento universal. O que ela precisa fazer é preparar o aluno para conseguir aprender e digerir todo esse conhecimento disponível”, explica Andre.

E Maria Regina completa “É preciso construir uma relação de afeto entre professor e aluno para que esse diálogo aconteça, para que certos padrões sejam quebrados e para que nós consigamos fazer diferente uma educação diferente no presente e no futuro”, finaliza a professora.

Pelo segundo ano consecutivo, empreendedores do SEED se destacam no Startup Games

Pelo segundo ano consecutivo, empreendedores do SEED se destacam no Startup Games

Após passar por cidades como Londres, Santiago, Sydney, Singapura e Buenos Aires, foi a vez de Belo Horizonte sediar o Startup Games nos dias 16 e 17 de setembro. Pela primeira vez na capital mineira, a parceria entre o Consulado Britânico e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Minas Gerais (Sedectes) levou 149 investidores nacionais e estrangeiros, 6 super Angels e 73 startups de diversas regiões do Brasil e do mundo – Índia, Peru, Alemanha, Chile, Bolívia, Quênia, México, Holanda e Portugal –  para competir na Praça da Liberdade.

Na disputa, as startups recebem 100 ações virtuais e, cada investidor 1 milhão de libras virtuais. A meta de cada startup é vender o menor número de ações, de forma a aumentar o valor da empresa; já o objetivo dos investidores é comprar ações de baixo valor, mas com futuro promissor. A competição é monitorada por meio de um aplicativo exclusivamente desenvolvido pela empresa mineira IOasys, que possibilita que tanto investidores quanto empreendedores acompanhem a valuation – estimativa de quanto um empreendimento vale, determinando seu preço e o retorno de um investimento em suas ações.

Ao todo, mais de 700 milhões de pounds virtuais foram negociados, em 1.400 ofertas durante todo o jogo. A disputa foi bastante acirrada e o resultado definido nos últimos segundos da competição. No domingo, startups que nem estavam no ranking das 10 melhores conseguiram alcançar resultados impressionantes, entre elas a campeã: a Biomimetic Solutions, composta por cinco jovens empreendedoras. A spin-off acadêmica do Cefet-MG, que alcançou a valuation de 869 milhões de libras, é responsável por produzir matrizes tridimensionais para o crescimento de órgãos e tecidos em laboratórios.

Melhor Plano, startup acelerada pela 4ª rodada do SEED, conquistou o segundo lugar na competição. A solução utiliza um banco de dados para comparar as melhores ofertas disponíveis para planos de celular, internet banda larga, TV por assinatura e telefone fixo na região do contratante.

Pedro Israel e Felipe Byrro (Melhor Plano), recebendo o prêmio do criador do Startup Games, Andrew Humphries, do embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, e do subsecretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Minas Gerais, Leonardo Dias

A medalha de bronze ficou com a MagCare, que propõe um tratamento alternativo para feridas de difícil cicatrização, reduzindo o tempo e o custo do tratamento, acabando com a infecção e o odor em 24 horas.

Dentre os investidores que mais se destacaram na competição, os quatro primeiros foram empreendedores do SEED. Paola Cicarelli da Cuboz, Natan Rebelo da Gamelyst, Nicólas Serrano da DataScope e João Gustavo Claudino da LOAD CONTROL, sucessivamente, foram os melhores investidores desta edição.

Beno Netto e Paola Cicarelli (Cuboz), que ganhou como a melhor investidora do Startup Games Belo Horizonte

 

Pelo segundo ano consecutivo, os mineiros dominaram o evento. Em 2016, a maior delegação era mineira, assim como as quatro primeiras colocadas da disputa: BeerOrCoffeeVirturianLett Pris, respectivamente, todas integrantes da terceira rodada do SEED.

O embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, declarou que o estado de Minas Gerais segue sendo um importante parceiro do Reino Unido no âmbito da inovação e da tecnologia. “Experimentei o jogo participando como um potencial investidor e fiquei admirado como todos levaram a competição a sério, sinal de que estão muito bem preparados para fazer negócios. Parabéns aos participantes e aos vencedores desta edição, a maior realizada até o momento”.