#PerfilEmpreendedor – Pedro Vasconcelos: “Nunca comece a desenvolver um produto antes de vender”

#PerfilEmpreendedor – Pedro Vasconcelos: “Nunca comece a desenvolver um produto antes de vender”

conexão SEED e SIMI-01 (1)

Por Renato Carvalho/SIMI 

Nesta semana, o #PerfilEmpreendedor realizado pelo SIMI e pelo Seed traz um participante da 3ª rodada do programa de aceleração: Pedro Vasconcelos, 27 anos, cofundador e diretor de operações da BeerOrCoffee. À frente da startup, ao lado de sua irmã, Roberta Vasconcelos, o empreendedor revela o momento e os motivos que levaram a empresa a pivotar.

O empreendedorismo vem de família e, desde pequeno, o engenheiro civil foi incentivado pelo pai a ter seu próprio negócio. Por isso, Pedro avalia a importância do apoio familiar. Além disso, ele acredita que o ecossistema mineiro de inovação está crescendo exponencialmente.

A BeerOrCoffe, hoje, é uma plataforma que dá acesso a vários coworkings, conectando pessoas com espaços de trabalho e também a outras pessoas. Confira a entrevista na íntegra:

SIMI: A BeerOrCoffee participou da 3ª Rodada do Seed. Em que o programa agregou à startup?
Pedro: A gente já havia participado de outros programas de aceleração, mas o Seed foi um marco enorme para a BeerOrCoffee, porque tínhamos um outro modelo de negócio. Foi um momento em que a startup pivotou para o modelo atual: um marketplace de coworkings. Então, foi essencial para nos fazer mudar e crescer. Fomos os campeões da 3ª rodada e, por causa do programa, não só encontramos um modelo sustentável e replicável, como crescemos e estamos no patamar em que nos encontramos hoje: temos 65% do mercado do Brasil.

SIMI: Quando você teve o primeiro contato com o empreendedorismo em sua vida?
Pedro: Eu venho de uma família empreendedora. Meu pai tem oito empresas na família e meu avô sempre foi empreendedor. Eu sou sócio da minha irmã e, desde casa, no nossos almoços e jantares, conversávamos sobre negócios. Desde pequenos vendíamos chocolates na escola. Minha irmã vendeu cachorro-quente enquanto estudou no exterior. Mais tarde, em 2008,  já em Belo Horizonte, minha irmã trabalhava na SambaTech, uma startup aqui de Belo Horizonte. Foi quando eu tive o primeiro contato com empreendedorismo em tecnologias e startups. No começo de 2012, nós resolvemos empreender. Tentamos uma vez, duas e na terceira vez, em 2015, começamos o BeerOrCoffee. Um pouco antes, em 2013, a gente começou o Tisdo, que era outra startup, que teve um certo sucesso. O aplicativo foi escolhido como o melhor da AppleStore, faturamos mais de R$ 1,5 milhão com vários clientes como Ambev e Três corações, mas o modelo não era replicável. Não tínhamos uma startup. Tínhamos uma agência de marketing, de desenvolvimento de software.

SIMI: E aí vocês partiram para a BeerOrCoffee…
Pedro: Em outubro de 2015, a gente iniciou a BeerOrCoffee e participamos de um programa de aceleração no Startup Chile. Em 2016, levantamos investimento anjo, participamos do Seed, ganhamos alguns prêmios, como o Google Demoday, o Startup Games, e então conseguimos esse novo modelo e escalamos. Hoje somos uma equipe de 15 pessoas. Crescemos não apenas em equipe, mas em faturamento. Estamos muito felizes com os resultados.

SIMI: Você veio de uma família empreendedora. Crescer com esse mindset empreendedor fez a diferença?
Pedro: Meu pai, principalmente, é uma figura dentro da nossa família que nos incentiva, desde cedo, a ter o nosso próprio negócio. E por mais que ele tenha o próprio negócio, a gente resolveu seguir o nosso caminho. A gente buscou uma forma de impactar muitas pessoas ao redor do mundo e isso é algo que nos incentivou bastante. Eu cheguei a trabalhar com outras pessoas, na área de turismo, de construção civil, mas ele sempre perguntava o que eu iria criar: “E aí, se você fosse fazer isso na sua área profissional, o que você faria?”, ele dizia. Ele é um exemplo dentro de casa. Tivemos esse privilégio de ver ele fazendo e nos inspirar nele, e no resto da família, para fazer igual.

SIMI: Houve dificuldades na construção do negócio, mesmo com o apoio em casa?
Pedro: 
Com certeza. O que a gente mais fez foi falhar. Estamos desde 2011 e só estamos tendo sucesso há um ano e meio, quando saímos do Seed, no começo de 2017. Em todos os outros anos estávamos errando.

SIMI: E o que você destaca de positivo durante o processo?
Pedro: Há três pontos que eu tenho que destacar. Primeiro são as pessoas que encontramos no caminho. A importância de mentores, de empreendedores e até mesmo professores, que vão te ajudar no caminho a não bater a cabeça naquilo que eles já bateram ou fazer com que você enxergue com mais clareza o seu caminho. Hoje temos um networking muito forte e as pessoas que estão ao nosso redor nos ajudam em nosso dia a dia. O segundo ponto  é fazer algo que você ama. O problema que resolvemos hoje, que é mudar a forma como as pessoas trabalham, é algo que me move. Eu tenho um computador na minha mochila e eu posso trabalhar de onde eu estiver. Se estou aqui, se estou em Bali, na Austrália, na Alemanha. Meu sócio mora em Lisboa, minha irmã fica em São Paulo, por questões pessoais. E há um alinhamento do pessoal com o profissional. Se você gosta e ama o que você faz é fácil pular essas barreiras e desafios que estão aí pela frente. O terceiro ponto é não desistir. É ter resiliência. Falhas vão acontecer. Você tem que ser uma pessoa que aprende rápido, através das conexões e da paixão que você tem. Por mais que haja obstáculos no caminho, se você ama o que você está fazendo, e se você tem pessoas boas ao seu lado, você vai conseguir ter sucesso.

SIMI: Qual erro você cometeu e que se você pudesse aconselhar alguém você diria “não faça”?
Pedro: Principalmente na área de tecnologia e startups, o erro é fazer um produto mais complexo possível, mais perfeito possível, antes de você validar sua venda. Vou dar um exemplo. Tínhamos uma base de 30 mil pessoas usando a plataforma e resolvemos lançar a parte de reserva de espaços de coworking. Para funcionar, precisávamos de ter um meio de pagamentos, acesso ao calendário, um controle para fazer as reservas e a página para o cliente acessar. Há vários pontos no produto que você tem que desenvolver, mas resolvemos não fazer nada disso. Decidimos lançar o mínimo possível, o MVP, e em um final de semana fizemos uma página com formulário. Se as pessoas estivessem preenchendo esse formulário, significa que elas queriam reserva. Dessa forma, a gente recebia um e-mail. A partir daí, fazíamos a cobrança, enviávamos a reserva para o coworking e operava tudo isso na mão. O maior erro que fizemos em outras startups foi passar vários meses desenvolvendo um produto maravilhoso, conforme nossa cabeça, e depois, quando lançado no mercado, ver que estava errado. Perdemos tempo e tivemos que mudar tudo. Nunca comece a desenvolver um produto antes de você vender. Venda primeiro, feche com o cliente, seja B2B, ou uma validação no B2C. A partir daí, quando você perceber que não está tendo mais tempo está na hora de desenvolver o produto. Eu aprendi, seja qualquer feature, um produto ou um processo novo que a gente cria na empresa,  sempre fazemos lean, simples e rápido.

SIMI: Vocês entraram no Seed como um aplicativo de conexões. Qual foi o clique para pivotar, como foi esse momento de mudança?
Pedro: Foram dois marcos importantes. O nosso agente de aceleração no Seed, o Daniel, nos fez ver qual eram as áreas que estávamos atacando. Ele nos ajudou a abrir a cabeça. Por mais que fôssemos um aplicativo de conexões, ele era mais usado em coworkings. A gente estava fechando bares e cafés enquanto as pessoas estavam se encontrando em coworkings. O nosso acelerador nos fez ver que tínhamos um erro, mas que tinha solução. Depois fomos para o Google Demoday, também por causa do Seed. Os experts do Google olharam nossas métricas e começaram a buscar modelos que poderíamos atingir. Já havíamos trabalhado em coworking. Ficamos seis meses no Seed, trabalhamos seis meses em Santiago e aprendemos a importância de estar em espaços como esses para conexões. Buscamos um modelo que já funcionava em outro mercado e trouxemos para cá.

SIMI: Como está a BeerOrCoffee hoje?
Pedro: Estamos em mais de 100 cidades, em mais de 500 espaços de coworking. Temos grandes clientes, como Banco Inter, GymPass etc. A gente tem mais de 80 mil usuários. Já representamos 65% do mercado de coworking do Brasil. Dominamos o mercado brasileiro e estamos expandindo internacionalmente para Lisboa. Passamos do break-even, já passamos da parte que se sustenta, estamos tendo um crescimento muito forte. Só nos últimos meses a gente cresceu 40% mês a mês e a vamos levantar, no meio do ano, R$ 5 milhões em uma série A.

SIMI: Você já conheceu diversos ecossistemas, já esteve em vários países. Como você avalia o ecossistema mineiro?
Pedro: Acho que o ecossistema mineiro está melhorando exponencialmente em termos de maturidade, como uma startup. Desde que entrei no Seed, há quase dois anos, era outro mercado, outro ecossistema. Acho que o que faz o nosso ecossistema forte é que temos o poder público, o poder privado, o poder acadêmico, as startups e a inovação todos juntos. Isso é muito forte. No Vale do Silício há a Stanford, as universidades em volta, o poder público é muito forte lá, e tem também o privado, que fez com que a região crescesse. O nosso mindset aqui é sempre de colaboração. Se alguém precisar de ajuda, outras startups vão ajudar sem esperar nada em troca. Essa troca faz com que o ecossistema cresça. O acesso a recursos no Vale do Silício é muito fácil, porque é a Meca da tecnologia e também porque já aconteceu a maturidade do ecossistema. Isso significa que as empresas já foram vendidas, e as pessoas que ganharam dinheiro, sejam os empreendedores ou investidores, reinvestiram no ecossistema, em novas empresas. Isso fez um ciclo, que é o que ainda não aconteceu em Minas Gerais. A partir do momento que houver esses ciclos, vamos crescer muito. O primeiro ciclo que tivemos foi a venda da Akwan para o Google. Eles quiseram manter o Google aqui, ajudar a UFMG, e pensaram no payback. É o que está acontecendo com Hyperloop que está vindo aí. Fazendo isso, o ecossistema vai se oxigenando e crescendo.

SIMI: Qual dica você dá para uma pessoa que está engatinhando no empreendedorismo, mas não consegue sair da inércia?
Pedro: Acho que o principal ponto é a observação. No começo, como empreendedor, você tem que ter esse drive de empreender. Para você ter esse drive de empreender, você tem que resolver um problema. Então no primeiro momento é ficar observando seu dia a dia. Repare na sua rotina, em algo que você não está satisfeito. Foi chamar um táxi e não conseguiu? O cara foi lá e criou o EasyTaxi. Tem que ter esse mindset aberto. Abra a cabeça para ficar observando muito, até encontrar um problema na sua vida que você percebe que pode ser problema de outras pessoas. Se faz sentido resolver, se você tem paixão por isso, faz sentido você atacar esse problema. Se não tem paixão, não vai, porque lá na frente vai ter uma dificuldade e não vai dar certo. O resto do processo tem o Seed, tem a comunidade, tem vários atalhos para te ajudar. Então, o primeiro momento é ficar observando e achar algo que faça um sentido para você.

Diário de bordo: terceira semana do SEED Academy

Diário de bordo: terceira semana do SEED Academy

Nas últimas duas semanas, os agentes de aceleração em formação pelo SEED Academy tiveram contato com diversos conteúdos importantes para o trabalho com startups. Para apresentar sobre cada tema, foram convidados profissionais especializados com experiência de mercado. Artur Jeber, mentor do SEED e CEO da Butec, puxou a fila falando sobre vendas. André Braga e David Ledson, da Sympla, contaram a história do negócio e os principais desafios do empreendimento. Rodolfo Zhouri, do Hub Minas Digital, bateu um papo sobre bootstraping e fundraising (financiamento próprio e levantamento de recursos de terceiros) para startups. Isabela Scarioli, nossa coordenadora de comunicação, falou sobre a criação e gestão de marcas em um mundo caótico. Fernando Americano, partner da Le Wagon Brasil, trouxe sua experiência com estratégia. E para fechar a semana, Grazi Mendes Rangel, people partner da ThoughtWorks, falou sobre cultura, talentos, remuneração e processos.

Túlio Vasconcelos, agente de aceleração e um dos responsáveis pelo SEED Academy, está satisfeito com a evolução do processo “o programa faz o que prega. Recebemos feedbacks diários e evoluímos permanentemente. O SEED Academy está sendo co-criado pelos participantes, ficando com a cara deles. Trazer pessoas do mercado é fundamental para que os academers entendam como a teoria funciona na prática, sejam estimulados e apliquem os conhecimentos aprendidos. O grupo tem ficado mais coeso, forte. Eles têm trabalhado juntos valorizando os pontos fortes de cada um e compensando as deficiências.”

 

Veja o que alguns participantes têm aprendido por aqui

 

Ludmilla Reis: “O interessante é que desde o começo estamos ouvindo da importância da formação em T (conhecimento transversal de diversas áreas com especialização em alguma). Com o contato com esses profissionais, pudemos ter uma base muito boa nos assuntos e entender quais nos interessam mais para aprofundarmos. Isso é muito valioso, não só para a atuação como agente de aceleração, mas para a vida.”

Fernanda Matoso: “Além de trazer muita bagagem do conhecimento específico, você consegue ver a prática dos conteúdos com os quais a gente tem tido contato, no conhecimento passado pelos especialistas. Junta o aprendizado do SEED Academy com a prática.”

 

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Fred, Ludmilla, Luciano e Fernanda.

 

Luciano Albuquerque: “Trazer pessoas de fora foi muito importante porque a gente conseguiu enxergar outros pontos de vista que foram abordados. As pessoas trataram de assuntos complexos com exemplos práticos da sua experiência. Esse contato foi essencial para entender ainda melhor o ecossistema de startups e empresas. É importante falar que participamos não só como espectadores, mas que todos os momentos foram colaborativos, com muitas perguntas. Esse é o papel do agente de aceleração, fazer perguntas. O contato com os convidados foi muito enriquecedor, muito direto, de muito diálogo.”

Frederico Silvério: “Essa semana foi focada em scale up, que significa crescer e aumentar a base de usuários. Tivemos conteúdos sobre vendas, marketing, estratégia e cultura. Visitamos a Sympla e a ThoughtWorks, o que enriqueceu muito a experiência e permitiu que  pudéssemos conversar com pessoas que têm de fato experiências para trocar.”

#PerfilEmpreendedor: Juliana Brasil, da MyPS, conta trajetória e parceria com a Chilli Beans

#PerfilEmpreendedor: Juliana Brasil, da MyPS, conta trajetória e parceria com a Chilli Beans

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Por Renato Carvalho/SIMI

O #PerfilEmpreendedor, uma parceria entre o Portal SIMI e o Seed, desta semana traz a empreendedora Juliana Brasil, fundadora da startup MyPS, participante da 4ª rodada do programa de aceleração.

Idealista de uma plataforma de serviço de personal stylist online, Juliana tem como objetivo democratizar esse tipo de serviço no Brasil, tornando-o mais acessível a mulheres. Confira a entrevista com a empreendedora:

SIMI: Quando você começou a empreender? Como foi o seu caminho no empreendedorismo?
Juliana: Eu sou formada em publicidade. Trabalhei oito anos com marketing, mas sempre fui apaixonada por moda e tive, na verdade, uma intenção muito grande de empreender, mesmo sem a menor noção do que faria. Chegou uma época em que eu fiz minha transição de carreira. Eu já tinha feito alguns cursos na área de moda e tinha me identificado muito com essa parte de consultoria de imagem e estilo. Então deixei o Marketing e fui atuar como personal stylist autônoma no mercado, em Belo Horizonte. Tem seis anos que eu faço esse trabalho presencial como personal stylist, tanto para homens quanto para mulheres, e também para empresas, com palestras sobre vestuários corporativos. E aí desenvolvendo esse trabalho foi onde eu percebi a demanda por um serviço mais acessível. A consultoria de imagem e estilo presencial é um serviço que demanda muitas horas da profissional e por isso é caro. E não é só pela questão financeira. Ele demorado, dura uns dois meses. E, muitas vezes, a mulher quer resolver uma demanda pontual, às vezes a roupa de um final de semana, de um casamento, que ela está com dúvida. Então, não dá nem tempo dela contratar uma profissional para assessorá-la. Foi aí que surgiu a ideia do empreendimento, da plataforma, que tem esse objetivo de dar uma consultoria acessível, mais rápida, dinâmica e prática.

SIMI: E como funciona o serviço da MyPS?
Juliana: Quando a gente começou a desenvolver a plataforma, começamos a fazer várias pesquisas de mercado. Os dados que coletamos mostram que 77% das mulheres brasileiras possuem algum tipo de dúvida ou insegurança relacionada a vestuário e imagem, e 59% delas querem resolver de uma forma prática e rápida. Hoje em dia, cada vez mais, tudo está online. As redes sociais para moda são um canal muito forte, mas fica ali só na questão da imagem e às vezes a pessoa não consegue adaptar o que vê para a sua realidade. Então a plataforma tem como objetivo pegar essas tendências de moda e oferecer isso de forma personalizada a ela. Primeiro a gente entende o perfil da usuária, o tipo de corpo dela, e aí depois que fazemos a análise através de um teste, conseguimos dar tanto dicas quanto sugestões para a compra, tudo de forma personalizada. Essa é a parte gratuita da plataforma. E agora estamos desenvolvendo serviços premium, para a usuária que quer um serviço ainda mais personalizado. Funciona assim, ela paga uma mensalidade e tem acesso a uma personal stylist, tem um chat com uma profissional, e um look book mensal, com outras sugestões de looks, ainda de acordo com estilo e corpo dela. O objetivo é falar de moda, mas de uma maneira personalizada e individualizada.

SIMI: A MyPS foi sua primeira experiência com empreendedorismo?
Juliana: Eu já tinha um trabalho autônomo, como consultora,que já é uma experiência de empresa. Voltado para tecnologia, a MyPS foi o meu primeiro empreendimento.

SIMI: Durante sua jornada na MyPS qual foi a maior dificuldade que você encontrou?
Juliana: Bom, várias. É até difícil pensar em uma. Mas no início, para qualquer startup, independente da área de atuação, é muito difícil quando você se propõe a fazer algo novo, uma forma nova de ofertar um serviço. É muito difícil você acertar de cara o entendimento de como entregar esse serviço, como comunicar o serviço, sendo que é algo que ainda não existe no mercado. Essa é uma dificuldade muito grande, você saber encaixar exatamente o ponto certo do feat do produto com a demanda do mercado.

SIMI: Atualmente, a presença das mulheres no ambiente tecnológico melhorou, mas ainda é algo que as mulheres batalham bastante. Você passou alguma dificuldade nesse contexto?
Juliana: Passei por algumas, dizer que não passei por nenhuma é mentira, mas nada muito grande. A gente vê acontecer, eu vi com outras pessoas situações mais complicadas. Mas, o que eu acho principal no meu mercado, nem falo do fato de eu ser mulher, mas do fato de eu ser mulher e trabalhar com moda. A moda, dentro da tecnologia, ainda é algo muito novo. Por exemplo, você vai buscar investimento e é claro que o investidor quer investir em algo que ele acredite, mas em algo que tenha o mínimo de afinidade para ele entender do business, dar sugestões, participar minimamente. É muito difícil. Essa é uma das maiores dificuldades. Conseguir despertar o interesse dos investidores para um mercado que é de extrema importância no Brasil, que tem um faturamento de 8,4 bilhões por ano. Então é um universo gigantesco e conseguir despertar esse interesse é bastante complicado.

SIMI: Falando um pouco dos benefícios obtidos em sua passagem pelo Seed, você teve uma grande oportunidade, que foi o Shark Tank, na FINIT, no qual você firmou uma parceria com o Caito Maia, da Chilli Beans. Como foi essa experiência e a que pé que está?
Juliana: O Caito abriu as portas para a gente, somos muito gratos a ele por isso. A experiência do Shark Tank foi sensacional. Na ocasião, o Seed podia escolher duas startups para estar lá, e a gente tinha todo o fit para estar lá e fomos selecionados. Foi muito legal só de ter a oportunidade de estar naquele palco com mais de 800 pessoas.Só de estar lá e poder apresentar, não só a ele, mas para todo mundo o nosso projeto, foi demais. A parceria que o Caito nos sugeriu naquele dia foi uma oportunidade de mercado que a gente já tinha vislumbrado, que é a ideia de customizar o nosso teste de estilo para outras marcas. O que ele propôs para gente é customizar uma versão do nosso teste para o site da Chilli Beans. A pessoa faz o teste e recebe as sugestões dos óculos que combinam com ela para compra, tanto de sol quanto de grau e relógios. Depois da FINIT a gente já fez duas reuniões com o Caito e sua equipe, estamos em negociação e agora nos ajustes finais da ferramenta Em breve vamos conseguir colocar essa parceria no ar. Para nós é uma validação gigantesca.

 

No início você fazer as pessoas enxergarem o que você tá enxergando é muito difícil, ainda mais quando a pessoa não conhece o seu mercado, não está no seu dia a dia. Então você ter uma pessoa grande como o Caito Maia e a Chilli Beans, que entendem seu valor, que enxergam junto com você é super importante.

SIMI: Além dessas portas abertas, o que mais o Seed proporcionou à MyPS?
Juliana: Além do investimento financeiro, que querendo ou não, por mais que você tenha um time maravilhoso, uma ideia muito boa, um produto muito bom, se você não tiver o dinheiro para realizar seu projeto, nada vai para frente, então isso é fundamental. A aceleração que a gente teve aqui, o acompanhamento dos agentes do aceleração também foi fundamental para o amadurecimento do produto e da nossa estratégia de negócio. E um ponto que eu sempre ressalto que eu acho fundamental do Seed é que você tem uma seleção muito criteriosa para entrar. Então me surpreendeu muito a qualidade dos empreendedores. Eram empreendedores muito bons, muito focados. E quando falo que são bons, digo que quanto melhores, mais humildes são. Eles conseguem ter a consciência de enxergar o tanto que ainda falta, e a pessoa quer cada vez mais, vê um futuro muito grande. Encontrei pessoas que estão anos-luz na minha frente, e que estão com a cabeça extremamente humilde, querendo aprender também. O networking que a gente faz aqui é muito fundamental. Essa visão, esse mindset mais maduro, eu nunca vi em nenhum outro programa de aceleração que participei. Os empreendedores daqui eram bem focados.

SIMI: De quais outros programas de aceleração você já participou?
Juliana: A gente participou da pré-aceleração do Lemonade, e depois da aceleração do Fiemg Lab. A gente saiu do Fiemg Lab quando a gente passou no Seed.

SIMI: Qual dica você dá para para mulheres que querem empreender?
Juliana: A principal dica que eu dou para mulheres é não ficarem “neuradas” com essa questão, sabe? Hoje em dia todo mundo levanta muito essa questão de mulher na tecnologia ser raro, ter barreiras. Tem barreiras? Tem. Mas esquece isso. A partir do momento que a pessoa pensa de igual para igual, é o primeiro passo para que ela tenha esse feedback de igual para igual. Não é tão fácil assim, muitas vezes mesmo fazendo isso não é assim que acontece, mas acho que esse é o primeiro passo. Não ter medo, não ficar preocupada com isso. Acreditar no seu projeto é o principal ponto, independente de ser homem ou mulher, e ter um propósito muito forte. A caminhada é longa e muito difícil. Você vai enfrentar problemas diariamente. Se você não tiver muita resiliência, em algum momento você vai desistir, vai adiar o projeto. Então o fundamental é ter um propósito forte e acreditar que a ideia tem futuro.

#empreendedorismo#inovação#aceleração#moda#perfil

 

Via Simi.

Conexão SEED e Simi: Conheça Roberto Ibarra, fundador da Expediente Azul

Conexão SEED e Simi: Conheça Roberto Ibarra, fundador da Expediente Azul

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Por Renato Carvalho/SIMI

O empreendedorismo faz parte da vida do simpático mexicano Roberto Ibarra, de 39 anos, natural de Guadalajara. Fundador da startup Expediente Azul, uma fintech que torna mais fácil e menos burocrático o recebimento de documentos por parte das instituições financeiras, Ibarra começou a empreender com 16 anos, em um negócio de vendas de computadores. Desde então, ele já passou por diversos programas de aceleração, incluindo duas rodadas do Seed, programa de aceleração do Governo de Minas Gerais.

Com o português afiado, Ibarra contou os desafios de sua jornada empreendedora, a diferença entre ecossistemas e destacou Belo Horizonte como uma cidade divertida e que proporciona felicidade aos empreendedores.

Confira, na íntegra, a entrevista e inspire-se!

SIMI: Você já empreende há quanto tempo?

Ibarra: Comecei meu primeiro empreendimento com 16 anos. Naquela época, se você queria comprar um computador, eu comprava as partes para você e te entregava o computador montado. Cada computador que eu vendia eu ganhava US$ 400 de lucro. Eu vendia um ou dois e estava rico na época (rs). Agora eu acho que se alguém ganha US$ 20 por computador é muito. Mas é um bom sinal. O empreendedor tem que estar sabendo que as coisas mudam, os modelos de negócio mudam e os mercados nascem e desaparecem. Então esse negócio que os pais falam para estudar, conseguir um bom emprego para empresas grandes, isso está difícil porque provavelmente nenhuma empresa vai durar toda vida. As empresas grandes a cada dia tem menos funcionários. Por isso, sempre fui empreendedor.

SIMI: Você já conhecia Belo Horizonte?

Ibarra: Antes do Seed eu nunca havia ouvido falar de Belo Horizonte. Para se ter uma ideia, todo mexicano acha que brasileiro é carioca. E quando a gente foi aceito no Seed nosso jeito de avaliar como era a cidade foi nos baseando pela Copa do Mundo. BH era uma cidade sede. “Ah, então deve ser uma cidade importante”, pensamos.

SIMI: Como você conheceu o Seed?

Ibarra: Eu estava em outro projeto antes, que era um aplicativo para fazer doações para caridade. O diferente é que a doação era cobrada em sua conta de telefone. Era muito simples doar. Eu estava morando no Chile, enquanto participava do Startup Chile, com aquele projeto, e eu não estava conseguindo resultados lá. O problema principal que a gente tinha era que quando a gente pegava o dinheiro da doação, a operadora ficava com metade. Então a doação acabava indo para a operadora e não para a fundação. No Chile eu recebi um e-mail, em um mailing, falando sobre o Seed. Então eu apliquei e a gente foi escolhido. Cheguei aqui em 2014, e no final descobrimos que as companhias são as mesmas, os donos são os mesmos, as regras são as mesas. Então a gente nunca soube se foi um erro da gente. Depois eu acabei me cansando daquele negócio, então resolvi tentar outra coisa.

SIMI: E aí surgiu a Expediente Azul. Como você pensou nesse modelo de negócio?

Ibarra: Eu estava tentando diferentes coisas. A minha primeira empresa séria foi uma empresa de desenvolvimento de software lá no México, chegamos a ter 70 funcionários. Um dia, já com 13 anos de empresa, a gente começou a perder a paixão pelo negócio. Decidimos vender e eu me separei daqueles sócios. Mais tarde, um desses sócios criou uma empresa financeira e ele começou a emprestar dinheiro da bolsa de valores do México. Depois de dois anos ele me liga e fala “Estou há dois anos dessa indústria e meu principal problema é pegar os documentos dos clientes para autorizar o empréstimo”. Conseguir esses documentos era uma dor muito grande, porque você precisa enviar de 15 a 30 documentos para os bancos e sempre falta um, algo está errado, está fora do prazo, faltam assinaturas, carimbos.

SIMI: E aí você viu a oportunidade de negócio…

Ibarra: Eu fiquei um mês dentro da empresa dele e eu comecei a ouvir as histórias. Quando eu vi esse problema eu pensei que já deveria existir alguma solução para isso. Eu sou de T.I e a solução não é algo muito complexo. Meu antigo sócio disse que já havia procurado muito e não achou nada. Então eu comecei a procurar e também não achei nada. Então comecei a achar a ideia interessante. Mas aí surgiram as perguntas que todo empreendedor faz. “Se ninguém resolveu o problema é porque não vale à pena ser resolvido?”. São bancos e bancos tem todo dinheiro para fazer qualquer solução que quisesse. Quando começamos a conversar com bancos grandes descobrirmos que todos os bancos têm sistemas para gerenciar documentos, mas o processo começa depois que o funcionário pegou os documentos certos e coloca dentro desse sistema. Ai tudo funciona perfeitamente. Mas o processo antes de o funcionário pegar esses documentos, e pegar esses documentos certos, é tudo manual. Começamos a trabalhar nesse problema e aplicamos para a 4ª rodada do Seed. Quando aplicamos só tínhamos um MVP, e meu sócio da antiga empresa financeira era meu único cliente. A gente foi aceito e aí muitas coisas começaram a mudar.

SIMI: O que você tirou de positivo do Seed nessas duas experiências?

Ibarra:  O que é muito legal aqui é que no final é uma comunidade. Então você começa a conversar com outras pessoas, que te apresentam para outras pessoas, que podem te ajudar. A 4ª rodada teve duas coisas muito legais: a primeira é o Day Out, visitas para outras empresas, que são incríveis porque você conhece a empresa e pode fazer várias perguntas. A outra coisa muito legal da 4ª rodada é que eles faziam bancas de investidores e de clientes e tínhamos muito feedback. Uma coisa que criticavam muito era o nosso modelo de negócio. A gente cobrava por pasta ativa. O que eu descobri depois, e demorei muito para entender, é que eles falavam que a gente estava vendendo para bancos algo a 99 reais por mês. Eles falavam que tinha algo errado, que estava barato, que eu nunca cresceria. Mas uma falha minha, que eu não conseguia transmitir, é que era o preço por 20 pastas. Até então eu não sabia explicar quanto pagaria um banco, pois não sabia quantas pastas eles precisavam. Essa não é uma informação pública. Com o tempo conversando com mais pessoas dentro do banco que eu consegui entender. Agora, a primeira coisa que eu pergunto é quantas pastas precisam por mês e, em seguida, mostro uma tabela de preços. Então aí começou a fazer muito mais sentido e os valores são maiores. Isso foi algo muito bom proporcionado pelas bancas e das visitas.

SIMI: E da primeira rodada? O que te marcou?

Ibarra: Na primeira rodada eu gostava muito mais da localização, porque era no Lourdes, rodeado de bar. E eu posso falar isso, sou empreendedor, uma coisa que vale muito para os empreendedores é a felicidade. O empreendedor tem muita mobilidade, então escolher um lugar onde ele pode morar e ser mais feliz é algo importante. BH é a capital do bar, o povo é muito receptivo. Isso é um grande diferencial sobre o porquê escolher essa aceleradora (Seed) e não a de outro lugar. Para quem vem de fora é muito melhor e mais simples e confortável morar em BH. Na 1ª rodada eu descobri todas essas coisas, o coworking era numa zona com muita atividade social. Iss, soma ao que o Seed te dá e as coisas vão acontecendo.

“Quase todos temos o mesmo hardware, o cérebro é igual para todos. O que está diferente é como você acha que pode resolver os problemas. É assim que você avança, pensando em formas diferentes de solucionar problemas”

SIMI: Ao longo de todo esse tempo de empreendedorismo, o que você destaca como as maiores barreiras?

Ibarra: As maiores barreiras que eu tenho até hoje, e por isso estou nesses programas para buscar ajuda, é que o próprio empreendedor freia o empreendimento a crescer. Faço parte de um grupo do Fórum Econômico Mundial, que o nome é Young Global Leaders. Então quando você vai lá, há pessoas que criaram companhias aéreas, políticos, empreendedores sociais etc. O que eu descobri passando tempo com eles é que quase todos temos o mesmo hardware, o cérebro é igual para todos. O que está diferente é como você acha que pode resolver os problemas. É assim que você avança, pensando em formas diferentes de solucionar problemas. Como mudar o software que está na cabeça para tirar as restrições que você tem, para poder crescer mais. É isso que eu estou procurando: um lugar onde eu estou conversando com pessoas e que eu sinta que eu sou a pessoa mais boba do lugar. Dessa forma,vou aprender e me desenvolver, para pensar de uma maneira diferente. Em toda minha trajetória empreendedora, sempre procurei ficar com pessoas mais experientes que eu, para pegar esse tipo de software de uma maneira mais acelerada, sem ter que desenvolvê-lo sozinho, porque isso demora mais tempo.

SIMI: Você já passou por vários ecossistemas diferentes, como México, Chile e Brasil. O que eles têm de comum e o que tem de diferente?

Ibarra: Nunca pensei nesse nível de detalhe, mas no México a política pública é diferente. Lá eles têm um escritório do governo para atender os empreendedores, mas há poucos programas para empreendedores que estão começando. Tem muitos programas de treinamento, mas não tem algo como o Seed, com esse investimento. Eles têm programas para empreendedores muito novos e para empreendedores que estão escalando. Mas se você está um pouco além do início, aí tem um buraco e é bom procurar em outros lugares, como Startup Chile ou aqui no Brasil. Já no Chile, o Startup Chile já tem muitos anos, e como foi o primeiro da América Latina, então se tornou referência para pessoas dos EUA e da Europa. Lá, praticamente todas as semanas, tinham pessoas muito importante visitando o Chile para ver o que estava acontecendo. Então você tinha a possibilidade de conhecer gente do mundo inteiro. Nesse caso eu não consegui aproveitar isso porque eu não estava avançado como eu estou hoje. Eu não tinha nada para adicionar valor a eles.

Já no Brasil, no Seed, eu sempre falo isso e ninguém acredita, mas aqui é muito divertido. E isso é importante porque se você se sente bem, você vai entregar bons resultados. Dos programas de aceleração que eu conheço, participei do México, Europa, Chile e Brasil, esse é o único que oferece happy hour para unificar os empreendedores. É uma coisa muito boba, mas faz muita diferença. Tinha o escritório no Lourdes e para mim era muito disruptivo, já que havia aquelas maquininhas que vendem biscoito, mas que vendiam cerveja também. Nunca tinha visto isso, principalmente em programas do governo. Lá não tinha regra nenhuma de consumo de álcool, mesmo assim nunca vi um empreendedor beber uma cerveja antes das seis da tarde. Todos entendiam o momento daquilo. Essa parte social é muito mais forte aqui.

Outro ponto legal daqui, é que hoje o Banco Inter é nosso cliente porque uma pessoa que trabalhava no Seed me apresentou ao cara certo lá. Essa é a importância das coleções sociais. Quando você cria um laço com a pessoa, um vínculo, elas te ajudam mais. Foi aí que começamos a decolar, antes disso eu já tinha desistido de vender para bancos. Estava desmotivado, mas quando essa pessoa me ajudou foi muito legal.

SIMI: E a Expediente Azul hoje? Está crescendo bem?

Ibarra: Estamos bem. Quando entramos tínhamos um cliente. Agora temos 41 instituições financeiras, bancos no Brasil, em Curaçao no Caribe. No México temos instituições financeiras e empresas que oferecem serviços para o banco. Estamos avançando, conseguindo validar. Fechamos uma rodada de investimentos com um fundo do México, já estamos conversando com outro fundo de investimento. A gente ainda é startup, não saímos do vale da morte, mas estamos na luta todos os dias.

SIMI: Tem alguma dica para quem quer vender a sua empresa?

Ibarra: A dica para vender uma empresa é igual para vender qualquer coisa. Comece a ligar e oferecer a empresa como se fosse qualquer produto, porque no final a empresa é o produto mais caro que o empreendedor tem.

Conheça mais sobre a Expediente Azul

A Expediente Azul é uma ferramenta voltada para instituições financeiras que analisa e armazena os documentos enviados por um usuário interessado em um empréstimo, gerenciando as comunicações interativas. Saiba mais em http://pastas.expedienteazul.com.

Via Simi.

A arte de empreender, pela visão dos SEEDers

A arte de empreender, pela visão dos SEEDers

Aventurar-se no mundo do empreendedorismo demanda muito fôlego e mente aberta. É preciso resiliência para desenvolver ideias, extrapolar barreiras e conquistar públicos, investidores e clientes.

Daniel Melo, da Medlogic*, e João Marcelo Moreira Braga, da Personal2Travel*, acelerados pela 4ª rodada do SEED, contam um pouco das suas vivências no universo do empreendedorismo e da inovação. Detalhe importante: esse diálogo foi parte de uma conversa rotineira de Whatsapp.  

O empreendedorismo além do glamour   

Daniel: A jornada do empreendedor, em especial  dos que promovem a inovação, não se parece com um resort all inclusive de alegrias constantes, com pessoas ao redor servindo para tornar a diária mais confortável. É uma selva virgem, inexplorada, com riscos desconhecidos. É preciso abrir caminhos nunca atravessados, sem haver ninguém para ajudar, em muitos momentos. A maior parte das vozes grita “Desista! Você não irá conseguir!”.

João: As dificuldades e desafios de se explorar e conquistar uma selva virgem traz muito mais alegria e felicidade do que o glamour de um resort all inclusive. Quem acha que a vida deveria ser esse resort não nasceu para os desafios de liderar uma startup.

João Marcelo Moreira, da startup Personal 2 Travel

D: Verdade, é um estilo de vida realmente sem paralelos. Num instante você perde o sono por causa de um grande problema. Em seguida, agradece a Deus pela oportunidade de, ao resolver o problema, criar algo significativo. Acredito que seja a marca das atividades meritocráticas: um atleta em alto nível se constrói com sangue, suor e lágrimas. Mas quando alcança a vitória, se sente preenchido. E mesmo “perdendo”, cresce no processo. A sabedoria está em se alegrar com a jornada.

Daniel Melo, da startup Medlogic

J: Totalmente isso. No final o caminho, o processo e a evolução acabam gerando mais valor que o benefício final em si. No resort, você já vai direto para o benefício, perdendo toda a parte de evolução, no estilo fast-food de vida.

D: Muitas vezes, a palavra certa de encorajamento é o vento favorável que nos ajuda a continuar acreditando. Dessa forma, obrigado Leo Dias, amigos empreendedores e equipe do SEED por continuarem nos encorajando!

*A MedLogic é uma startup que oferece um sistema que propõe um plano de cuidados individualizado para idosos, reduzindo custos e melhorando a qualidade de vida do paciente e dos familiares.

**A Personal2Travel fornece às companhias de viagens tecnologias que tornam possível a personalização entre marcas e viajantes, através de serviços de armazenamento, organização, processamento e análise de dados.

#PerfilEmpreendedor – Laur: da Estônia para o mundo

#PerfilEmpreendedor – Laur: da Estônia para o mundo

Por Isabela Scarioli

Você conhece alguém da Estônia? A gente conheceu. Esta semana, Laur, o loiro de 29 anos, mas que diz que na cabeça tem 16, visitou o SEED para conhecer um pouco melhor o ecossistema de empreendedorismo e inovação de Minas Gerais. 

Parece uma pessoa leve. Quer causar impacto positivo e, para isso, nos contou  que empreende continuamente . “Por isso que tem internet, né?”, diz bem humorado sobre sua forma de aprender.

Publicamos abaixo a conversa na íntegra (feita em português, diga-se de passagem). Para quem quer se inspirar, é um prato cheio.

 

SEED: Conta um pouco para nós como é sua trajetória empreendedora?

LAUR: Cresci em uma fazenda e desde criança era apaixonado por carros, meu sonho era ser engenheiro mecânico. Aos 14 anos aprendi design, a soldar, a fazer cálculos e a criar meu próprio veículo. Fiz um ano de intercâmbio no Brasil aos 16 anos, morei em Petrópolis e Cabo Frio.

Fui fazer faculdade de engenharia mecânica e elétrica na universidade de Bath, na Inglaterra, e comecei a trabalhar como engenheiro e motorista de teste. Na prática, aprendi que não gostava muito de carros. Pedi demissão, tirei quatro meses de férias e fiz um mochilão, o primeiro da minha vida, aos 23 anos. Fui para Califórnia, Costa Rica, Panamá, Brasil. Foi muito legal.

Voltei para a Universidade e fiquei curioso sobre o mercado financeiro. Comecei a estudar blockchain* e a fazer trade com Bitcoins* usando meu próprio dinheiro, que multipliquei várias vezes. Juntei este aprendizado com a neurociência e criei um cérebro artificial que opera nos mercados de criptomoedas. Também criei, com outras pessoas, uma startup que oferece o serviço de compra nos supermercados com celular, mas saí para me aprofundar no universo das finanças.

Terminei a universidade e voltei para a Estônia. Nessa época, a TransferWise* já existia e o líder de produto da empresa me convidou para trabalhar lá. Fui inicialmente gerente de produtos de compliance e logo depois passei a liderar a parte antifraude da empresa. A missão da Transferwise é criar um mundo financeiro sem fronteiras: grátis, instantâneo e conveniente. Lá eu entendi que estou interessado em fazer isso também: encontrar a melhor forma de resolver problemas, que gere menos desafios para os clientes.  

Saí da TransferWise em novembro do ano passado pois já tinha aprendido o que queria: como desenvolver uma organização e fazer um produto escalável. Lá tive contato com as melhores pessoas liderando e criando produtos, mas percebi que precisava do próximo desafio. Há coisas que me interessam mais neste momento. Um tema que me toca muito é a educação e a criação de um mundo sem fronteiras. Agora estou de férias, viajando há três meses e antes do Brasil passei por Honduras e México.  

 

S: O que você está fazendo por aqui?

L: Vim ao Brasil visitar minha família do intercâmbio e fazer knite surf. Quando percebi o que estava acontecendo no ecossistema de empreendedorismo e inovação, resolvi ficar mais uns meses para entender melhor. Visitei universidades, startups, aceleradoras e coworkings nas cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Floripa e Belo Horizonte.

Não tinha nenhuma ideia dessa efervescência quando vim para cá, são as minhas férias! Mas agora quero me mudar. Comecei por Floripa a minha pesquisa, lá me conectei com pessoas e startups do país inteiro. Abri o meu calendário para qualquer um marcar uma hora comigo. Quero entender o nível de maturidade das startups no mercado brasileiro e ajudá-las com as forças que eu tenho, pensando na missão de cada uma. Já conversei com umas 40 startups no Brasil.

 

S: Por que o Brasil?

L: Por quê não o Brasil? Para mim o país tanto faz. Mas aqui é um lugar em que as pessoas normais têm muitos problemas e os empreendedores muitas oportunidades. Essa mentalidade e os ecossistemas crescendo é muito rico. Há muita gente vivendo vidas não muito boas. Isso tem que mudar! Posso e quero causar impacto positivo. Não ligo muito para dinheiro. Sou mais de desafios, e esse é um desafio legal, de mudar um país. A Estônia é muito minimalista, dá para votar online, fazer e pagar seus impostos em três minutos, abrir uma empresa em 18. No Brasil é tudo complicado. Quero mudar isso e quando penso no que tenho a oferecer, minhas habilidades são valiosas.

O Brasil está em um momento muito interessante do seu empreendedorismo. O primeiro ciclo está se fechando. Os pioneiros já venderam suas empresas, já tiveram sucesso e estão investindo nos que estão nascendo. Esse é um ponto muito importante. Todos podem ler o Lean Startup*, mas antes de pôr o que está no livro em prática é impossível saber como é a experiência de criar uma organização, liderar, fazer crescer. Isso é fundamental para ter conhecimento nessa área. E no Brasil quem teve êxito está atuando como mentor dos novos empreendedores. Uma coisa que o empreendedor brasileiro tem de especial é que aqui é muito difícil empreender, então ele sabe se virar, atravessar as paredes.

Viajando pelo Brasil agora, conhecendo esses ecossistemas, não tenho como não pensar se é uma bolha ou não, porque cresceu muito rápido. Na mentalidade das startups locais o produto é muito forte, mas outras pensam também em como levantar dinheiro. Isso tem que ser feito no tempo certo, sem cliente não tem startup e não precisa de dinheiro (rs). Uma coisa que brasileiro gosta de fazer e que não é parte do mundo de startups geralmente é vendas e marketing. O problema são as startups que pensam mais em como vender do que em como criar um produto realmente bom. O ecossistema brasileiro precisa entender melhor como cada negócio está melhorando a vida dos seus clientes, tornando-a mais fácil, barata e acessível.

 

S: O que você está fazendo agora?

L: Estou aprendendo novas tecnologias de inovação e brincando com algumas ideias e produtos que estou criando. Uma coisa em que venho pensando muito é em como criar um mundo sem fronteiras. Todos os governos oferecem serviços para as pessoas e empresas e a sociedade paga por estes serviços por meio de impostos. Cada dia fica mais fácil para pessoas e empresas se mudarem e isto está criando competição entre países.

Decidi não decidir nada até o fim do mês. Uma coisa que tenho concreta é que quero me mudar para o Brasil, mas o que vou fazer ainda não resolvi, tenho muitas opções. Várias startups querem trabalhar comigo e tenho pensado em fundar uma aceleradora para criar esse Brasil mais eficiente.

 

S: Como você veio parar no SEED?

L: Em Floripa um dos meus primeiros contatos foi com o André Rota, da Darwin. Ele fez a ponte com o Daniel do SEED. Ontem, fui ao Hub, conhecer os programas do Minas Digital e achei incrível isso ser feito pelo governo. Nos outros países isso é conduzido pela iniciativa privada. Achei muito forte, especialmente esses programas para educação e o SEED. Na verdade não conheço o SEED tão bem, mas o que vi do programa achei muito interessante.

 

S: Qual o seu recado para as pessoas que querem mudar o mundo, tirar ideias do papel?

L: Ideias são baratas, valem dois centavos por ideia. É preciso pessoas boas para realmente criar coisas boas, falhar rápido, seguir em frente e enxergar se o mundo que você está querendo criar funciona para as pessoas reais. Por isso, o SEED é bom, porque tem mentorias, tem pessoas que inspiram as outras.

 

WikiSEED

*Blockchain ou “protocolo de segurança” – tecnologia que visa a descentralização de dados como medida de segurança.

*Bitcoin – moeda digital do tipo criptomoeda descentralizada.

*TransferWise – startup que busca soluções em transferências bancárias para o exterior.

*Lean Startup – livro de Eric Ries que fala sobre o modelo de negócios das startups.

Nota aos candidatos da 5ª rodada / Clarification Note

Nota aos candidatos da 5ª rodada / Clarification Note

A coordenação do SEED e a Fundação Christiano Ottoni informam que constataram uma falha técnica na plataforma YouNoodle, utilizada para submissão dos projetos de negócios de base tecnológica na seleção pública 02/2018. Houve divergência no prazo de encerramento das inscrições informado na plataforma em relação àquele constante no edital de chamamento público.

Portanto, com vistas a garantir a preservação dos princípios da isonomia, impessoalidade, moralidade, publicidade, vinculação ao instrumento convocatório, evitando qualquer dano aos interessados, o SEED reabrirá o prazo para as submissões. Esta condição será concedida APENAS aos candidatos que iniciaram o processo de inscrição antes do prazo previsto inicialmente, mas que não conseguiram submetê-lo até dia 6 de abril às 18h (horário de Brasília). O processo ficará aberto durante 5 horas e 59 minutos, prazo equivalente à divergência constatada.

Desta forma, os candidatos já cadastrados na plataforma poderão concluir e submeter suas inscrições das 18h às 23h59min (horário de Brasília) do dia 16 de abril de 2018, segunda-feira, neste link.

Por fim, informamos que não serão aceitas a criação de novas inscrições e, tampouco ajustes em inscrições já submetidas.

SEED Coordination and the Christiano Ottoni Foundation make it public that a technical failure was reported in the YouNoodle platform, utilized for the submission of technology based business projects under the Public Call 02/2018. There was a divergence between the deadline informed by the platform and the one presented in the public call bidding document.

Nonetheless, in order to insure the preservation of principles of isonomy, impersonality, morality, publicity and abiding to the convocatory document, avoiding any harm to the interested, SEED will reopen its deadline for the submission of applications. This condition will be granted only to those that initiated the application process before the deadline previously described, but were not able to submit it until April, 6th, 18h (UTC -3). The process will be open for the remaining 5 hours and 59 minutes, equivalent period of the existent divergence

In this fashion, the candidates that are already registered in the platform will be able to conclude and submit their applications from 18h to 23h59min (UTC-3) on April, 16th, Monday, in this link.

We also inform that there will not be accepted new applications, neither, corrections in already submitted applications.

Uma manhã das arábias

Uma manhã das arábias

Comitiva dos Emirados Árabes Unidos visita Minas Gerais para pensar possibilidades de cooperação

Gerar conexões, contribuir para aumentar o volume de comércio internacional e transferência tecnológica, incentivar e criar formas de financiar a inovação, atrair pessoas e investimentos de outros países para Minas Gerais. Essa é a rotina da equipe do Minas Digital que recebeu, na última sexta-feira, 6 de abril, no SEED, a visita de uma missão dos Emirados Árabes Unidos.

O subsecretário de Ciência e Tecnologia da SEDECTES, Léo Dias, foi o anfitrião da comitiva, que incluiu, além da Embaixadora do país no Brasil, Sua Excelência Hafsa Al Ulama e três membros de sua equipe, representantes de importantes instituições como da Câmara de Comércio e Indústria de Dubai, da Emirates, do Dubai Exports, do Dubai Foreign Direct Investment e da Autoridade da Zona Franca do Aeroporto de Dubai. Gabriel Mota do SEED e Rodolfo Zhouri do Hub Minas Digital auxiliaram na apresentação dos projetos e resultados do Minas Digital e na recepção dos convidados.    

Leo Dias apresenta os projetos do Minas Digital. (Foto: Isabela Scarioli)

A Embaixadora ficou positivamente surpresa pelo que está sendo feito em Minas Gerais e se mostrou animada para empreender esforços de cooperação para circulação de negócios, pessoas e investimentos. “Estou muito feliz e bem impressionada. Honestamente, esse lugar é ótimo. O futuro depende das novas gerações e o que vocês estão fazendo em Minas Gerais é ver o futuro agora. Os Emirados Árabes Unidos também acreditam que o futuro está nas novas gerações. Podemos estabelecer outras formas de cooperação, além das tradicionais como o fomento ao comércio entre os dois países. Trouxemos à esta visita diversas empresas e organizações que podem contribuir para construirmos pontes e acordos bilaterais. Mais que isso, temos que pensar juntos em inovação e juventude. Seria maravilhoso ter um grupo daqui visitando os centros de incubadoras no nosso país e vice-versa para pensarmos juntos em soluções para o mundo como um todo. Como transformar essas grandes ideias em negócios que serão líderes globais. Há tanta oportunidade”, diz.

Já, Abdur Rahim Ghulam Nabi, da Zona Franca do Aeroporto de Dubai, falou sobre a importância do intercâmbio de ideias e talentos para a inovação, “O programa é excelente e ainda combina a energia do espaço de coworking. Do minuto em que entramos aqui sentimos a energia eletrizante, não dá vontade de ir embora. Percebe-se que é um ambiente incrível e que as pessoas estão se beneficiando dele. O que o Minas Digital está fazendo em Minas Gerais, todos os números dos diferentes programas, o tipo de impacto que vocês estão causando, é realmente fenomenal.” Ele completa que “há muito potencial para cooperação. Estamos acostumados com nossa forma de vida, vocês com a de vocês, precisamos de uma polinização cruzada de pensamentos para a inovação acontecer.”

Ao fim da visita, podia-se ver a satisfação do grupo, houve troca de presentes e sentia-se no ar que naquela manhã iniciou-se a construção de uma ponte que pode levar e trazer conexões e desenvolvimento.

Dinâmicas com Lego marcam seleção para o programa de formação de agentes de aceleração do Seed

Dinâmicas com Lego marcam seleção para o programa de formação de agentes de aceleração do Seed

Ao longo da história, o Lego sempre foi muito elogiado por permitir que as crianças brincassem de forma livre, além de ser famoso por desenvolver a criatividade, habilidade motora, visão espacial e raciocínio. Mas o brinquedo não é um desafio somente para os pequenos. Hoje, durante o Workshop do Seed Academy, realizado no Minas Digital Summit, em Belo Horizonte, os 30 candidatos para o programa de formação de agente de aceleração do Seed tiveram sua habilidades testadas.

Mas por que utilizar o Lego? Daniel Oliveira, um dos coordenadores do Seed, explicou que a formação de um agente de aceleração parte da premissa de que eles estão muito mais em busca de atitudes e habilidades das pessoas, do que o conhecimento em si sobre o ecossistema de startups. Por isso foram criados os desafios lúdicos. “A gente acredita que a utilização do Lego dá a possibilidade de os participantes explorarem cada vez mais os objetos, trocar ideias, fazer metáforas e conexões, e usar todas as suas habilidades cognitivas para que eles consigam chegar à resolução dos desafios que a gente propõe.”

A dinâmica comandada por Marcos Barbosa, da Duck Ideias, proporcionou uma manhã de atividades lúdicas que, além de colocar à prova as habilidades pessoais, testou as reações diantes de situações cotidianas do universo empreendedor, como a prototipagem e validação de um produto. “O legal do Lego é que ele permite que a gente trabalhe com metáforas o tempo todo”, explica.

Os participantes foram avaliados de perto por toda a equipe de aceleração do programa. O empreendedor e agente de aceleração, o colombiano Dario Reys, um dos selecionados para a terceira fase, destacou que esse processo de seleção é bem diferente dos tradicionais, a exemplo de análises de currículo e entrevista. “Essa atividade de hoje deu para entender a lógica do que tem que ser um agente de aceleração e do que é o Seed”, destacou.

Formação de agentes é inovação da nova gestão

Ao longos dos últimos anos, o Seed vem inovando em diversos aspectos. Em 2016, o programa mudou de casa e, hoje, recebe os empreendedores em seu coworking instalado no Espaço Cento & Quatro, no coração da capital mineira.

Já em 2017, o programa resolveu criar uma própria metolodogia de aceleração. E este ano a 5ª rodada também chegará inovando com o programa de formação de agentes.

De acordo com o coordenador Daniel Oliveira, a ideia do programa de formação surgiu da evolução do entendimento do próprio programa. “Quando nós tivemos uma metodologia internalizada na 4ª rodada, a gente  entendeu que habildades e conhecimentos específicos para um agente de aceleração precisa ser treinada. O papel dele é fazer conexão, boas perguntas e saber navegar no nosso ambiente. Então, a gente viu que essa pessoa não estava no mercado pronta”.

Além disso, Daniel acredita que o impacto na sociedade é muito maior quando você forma pessoas para atuar no setor. “As cinco pessoas que não entrarem para o Seed poderão ser indicadas pela nossa equipe para entrar em outros programas, por exemplo”, ressalta.

Sobre a seleção

As inscrições foram abertas no início de março. O programa recebeu cerca de 350 currículos. Após uma triagem, foram selecionadas 120 pessoas, das quais 30 passaram para a terceira fase que foi o workshop do Minas Digital Summit. Somente amanhã iremos conhecer os 10 participantes que darão início ao programa de formação de agentes de aceleração.

O SEED oferecerá aos participantes uma formação robusta, experiência e muita prática. A formação será composta por seis semanas, em que os interessados vão conhecer e explorar ferramentas do mundo do empreendedorismo e sair como um agente de aceleração capaz de causar impacto real em startups, além de fazer parte da equipe que vai cuidar da aceleração das empresas da 5ª rodada do SEED. Ao final, cinco pessoas vão integrar a equipe de aceleração do programa.

Via: Simi 

Respondemos algumas dúvidas sobre o edital da 5ª rodada do SEED

Respondemos algumas dúvidas sobre o edital da 5ª rodada do SEED

Prazos, documentação, quem pode participar e como conquistar uma vaga do maior programa público de aceleração de startups do Brasil? O SEED realizou, na noite da última terça-feira (27), um encontro aberto ao público para apresentar o programa e esclarecer essas dúvidas e tantas mais sobre o edital para a 5ª rodada, que está aberto até o dia 6 de abril. Todo o evento foi transmitido ao vivo pelas redes sociais (Facebook – /Seedstartups).

Para conquistar uma das 40 vagas oferecidas pelo programa de aceleração, os empreendedores precisam cumprir uma série de regras. O edital, publicado em www.minasdigital.mg.gov.br/seed, detalha as condições de participação. O processo de inscrição inclui  gravação de vídeo, envio de cartas de recomendação, descrição do modelo de negócio, detalhes do mercado e outras etapas.

Confira alguns dos questionamentos feitos pelos interessados sobre o edital que podem te ajudar na hora da inscrição.

  • O item 2.14 da Seção II do edital fala sobre a uma contrapartida mínima de 5%. O que isso significa?

Conforme disposto no item 2.14 da Seção II, todos os benefícios oferecidos pelo programa (financeiros e não-financeiros) são livre de participação, ou seja, não ficamos com ações da empresa. Entretanto, cada startup deve investir, no mínimo, 5% do valor financeiro recebido do programa. Além disso, uma das obrigações dos selecionados será a participação em atividades de difusão, de acordo com Seção II, itens 5.4 e 5.7 do Edital.

  • Qual o interesse do SEED por startups mineiras e/ou de outros estados e países que estejam planejando permanecer em Minas Gerais após a conclusão do programa?   

De acordo com a Seção I do Edital, no item 2.1 – O presente Chamamento tem por objetivo selecionar até 40 (quarenta) projetos de negócios de base tecnológica de quaisquer segmentos, apoiando empreendedores, nacionais ou estrangeiros, que queiram desenvolvê-los na cidade de Belo Horizonte, no Estado de Minas Gerais, localizado na região sudeste do Brasil.

  • Startups que estão em desenvolvimento de protótipo tem chance de serem selecionadas pelo SEED ou o programa tem interesse nas que já geram receita?

Os critérios de seleção definem o escopo dos projetos a serem selecionados de acordo com o objetivo do chamamento público, como disposto no subitem 2.1, bem como subitem 2.4, da Seção I. Além disso, consta no item 7, Seção 1, todos os aspectos que serão avaliados comparativamente entre os projetos.

  • Como deve ser feita a carta de recomendação. Tem algum modelo?

Não existe modelo de carta de recomendação. De acordo com o Edital, no item 6.1 – De forma a permitir a sua adequada análise, cada projeto deverá apresentar, por meio do formulário eletrônico de inscrição, pelo menos as seguintes informações:

Quanto aos membros da equipe proponente: carta de recomendação de pelo menos duas referências distintas que possam atestar o comprometimento e a capacidade de pelo menos 2 (dois) membros da equipe proponente em cumprir com a metodologia do programa.

  • Se uma startup se inscreveu para o programa de aceleração do SEED no ano passado, ela tem que esperar 2 anos para se inscrever novamente?

Não. Todavia sugerimos que o projeto seja alterado aproveitando o feedback recebido para que possa ser selecionado em uma próxima rodada. A vedação das inscrições nas duas edições subsequentes refere-se a projetos selecionados em que houve o término antecipado por pedido do coordenador, como dispõe os itens 7.8 a 7.11 do edital.

  • Se minha startup não for selecionada neste edital, recebo algum tipo de feedback?

No prazo de 48 (quarenta e oito) horas, contadas da publicação do resultado da seleção, todos os proponentes do presente chamamento terão acesso à avaliação do seu projeto, preservada a identificação dos juízes do Comitê Julgador.

  • Estamos nos inscrevendo na 5ª rodada, porém, um integrante está trabalhando como CLT e um segundo possui um MEI. Contudo, isso não afetaria as presenças semanais no escritório compartilhado do SEED. Isso seria um problema? É necessário se desvincular da empresa e do MEI?

A resposta para este questionamento encontra-se na Seção II, subitem 1.3 do Edital, que expõe que será assegurado a todos os participantes do programa o uso semanal do escritório compartilhado que funcionará das 09h00 às 21h00 em dias da semana, sendo 9 (nove) horas de uso obrigatório, divididas em pelo menos dois dias, e 18 (dezoito) horas de uso opcional.

Não recomendamos o compartilhamento de horários com outras atividades fora do projeto, mas não é proibido.

Outro ponto que deve ser observado é que, de acordo com Seção I, subitem 9.1 do Edital, os membros da equipe proponente dos projetos selecionados deverão se apresentar para iniciar a participação na primeira semana do programa, do dia 26 a 29 de junho, no escritório compartilhado do programa SEED, localizado na Praça Rui Barbosa, nº 104, Centro, na cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, sob pena de desclassificação.

  • As startups precisam ser 100% voltadas a tecnologia ou podem ser dividas em plataformas digitais e projeto físico? As startups devem cumprir com a definição, de acordo com a definição de startup de base tecnológica do subitem 2.4 do edital. A equipe tem que estar morando em BH durante o programa?

Esta resposta pode ser encontrada na Seção I do edital, nos itens de 3.1 a 3.5, que dispõe da elegibilidade dos projetos. No item 3.4 fica explícito que o negócio de que trata cada projeto deve estar claramente caracterizado como startup de base tecnológica, conforme definição apresentada no subitem 2.4 da Seção I do Edital.

  • Quem deve assinar e qual o conteúdo deve conter a carta de motivação?

A carta de motivação deve ser redigida pelo proponente (coordenador do projeto), de modo a explicar claramente os objetivos e intenções da equipe em participar do programa.

  • A questão de orçamento, custos de mudança, também é retirado do valor de investimento?

Esta resposta pode ser encontrada na Seção II do Edital, no subitem 2.9 que estabelece que a parcela fixa do incentivo também poderá ser empregada para o pagamento das despesas realizadas em nome dos participantes com passagens e locomoções de ida e de volta aos locais de residência original, bem como com seguro de saúde e de viagem e com procedimentos necessários para a obtenção de visto.

  •  Gostaria de compreender melhor sobre o vídeo de Validação dos Marcos de Desenvolvimento. Podem dar mais detalhes do que esperam, por favor?

Os vídeos serão avaliados de acordo com detalhes dispostos na Seção I, nos subitens, 7.4 e 7.6 do Edital. Os vídeos devem estar embasados nos conteúdos determinados pelo item 6, Seção I, do edital.

  • Sobre a equipe proponente, somente os sócios devem ser colocados ou indica-se incluir um funcionário e/ou estagiário?

A equipe proponente deve ser formada por dois ou três membros que, de fato, participarão presencialmente com seu projeto durante o Programa SEED em Belo Horizonte/MG – Brasil;

  • Existem cotas para projetos de estrangeiros?     

Não existe nenhum tipo de cota para qualquer tipo de equipe proponente.

  • A possibilidade de substituição da “equipe proponente” que participa presencialmente do programa só pode ser realizada com pessoas que foram previamente inscritas como “equipe do projeto”?

Esta resposta se encontra no item 4.9 da Seção I do Edital que dispõe o seguinte: Submetido o projeto, não serão admitidas quaisquer alterações na equipe proponente, como inclusão, troca ou exclusão de membros, a não ser por aqueles membros da equipe do projeto submetido que já estejam incluídos no formulário de inscrição, sob pena de desclassificação de toda a equipe no programa, exceto nos casos previstos pelos atos normativos que regem o programa SEED, em especial Lei Estadual nº 20704 de 03/06/2013, Decreto Estadual nº 46258 de 18/06/2013 e sua atualização nº 46.776. No caso de desistência de algum membro da equipe proponente aprovada, este poderá ser substituído por outro membro incluso no formulário de inscrição, desde que possua qualificação semelhante ou superior, e seja aprovado pela equipe gestora do SEED. Esta substituição deverá ser solicitada por escrito à coordenação do programa, POR MEIO DO EMAIL seed@fco.org.br, dentro do prazo de 15 (quinze) dias corridos, após divulgação do resultado final dos selecionados.

  • Meu professor orientador de TCC pode escrever a carta de recomendação da minha startup?!

Esta resposta se encontra no item 6.1 da Seção I do Edital, que dispõe que é necessário carta de recomendação de pelo menos duas referências distintas que possam atestar o comprometimento e a capacidade de pelo menos 2 (dois) membros da equipe proponente em cumprir com a metodologia do programa.

  • Quantas ideias já foram selecionadas sem terem tido alguma venda antes?

As inscrições para o SEED são abertas para todos os projetos que se encaixam nas definições do subitem 2.4 do edital.                                                               

  • Somos 3 sócios, e dois deles trabalham. Como se divide essa carga horária, há alguma restrição?

Sim, há uma carga horária mínima a ser cumprida por cada membro da equipe de 9 (nove) horas de uso obrigatório, divididas em pelo menos dois dias, e 18 (dezoito) horas de uso opcional. Esta resposta encontra-se na Seção II, subitem 1.3.

Não obstante, de acordo com Seção I, subitem 9.1, os membros da equipe proponente dos projetos selecionados deverão se apresentar para iniciar a participação no programa na primeira semana do programa, do dia 26 a 29 de junho, no escritório compartilhado do programa SEED, localizado na Praça Rui Barbosa, nº 104, Centro, na cidade de Belo Horizonte, capital do Estado de Minas Gerais, sob pena de desclassificação”.

  • Uma mesma pessoa pode participar de duas equipes?

Como proponente, uma mesma pessoa só pode se inscrever em um projeto. Esta resposta está na Seção I, subitem 3.1 do Edital.

 

Se tiver mais alguma dúvida, confira nossos vídeos de FAQ: